sábado, 16 de janeiro de 2016

A maior parte

É difícil resistir à distância. É difícil resistir ao tempo. É mais fácil ser levado, ir com o fluxo. Mas para onde vai? Se você não sabe aonde quer chegar, esta questão não é importante, pois é possível chegar em qualquer lugar. Mas e quando você começa a saber? E quando você começa a querer? Então você percebe como fazer seu próprio caminho pode ser difícil, como constantemente haverá quem ou o que lhe tire do seu rumo.

Não é um sentimento feliz. Não é bom se sentir perdido. Acredito que o medo maior de toda criança seja se perder e quando a gente se perde a gente se sente criança - deve ser por isso. Não é um sentimento feliz, depois, saber onde se está e perceber como se está longe. Longe do pouso, de casa, de onde se queria chegar, de rota, de vida... Mas é um ponto. É importante. E há de ser bom, mesmo havendo alguma tristeza.

Eu entendi que talvez eu seja para sempre criança. Só com mais aparência de adulto, fazendo coisas de adulto, falando com outros adultos... E, por dentro, criança. Eu me conheci e me perdoei por isso. Agradeço sempre que encontro com quem eu posso ser criança, posso ser quem eu sou. Pois é difícil ser criança e ter que parecer adulto. Terei de viver assim. Talvez um dia eu realmente cresça e seja de fato adulto.

Eu entendo que eu serei para sempre sozinho. Com algumas solidões compartilhadas, tendo boa sorte. Fazendo coisas com outros sozinhos. Eu me conheci e me entristeci por isso. Pelo menos eu me contentei também, por vezes. Agradeço sempre quando eu encontro com que eu posso ser sozinho sem me sentir tão triste. Terei de morrer assim. Espero um dia me reintegrar ao todo, ao uno e voltar a ser inteiramente.

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